Fintech brasileira NG.CASH recebe aporte estratégico e mira desenvolvimento de produtos com blockchain, impulsionada por regulamentação no país.

A NG.CASH, fintech brasileira direcionada às novas gerações, anunciou a captação de US$ 15 milhões em uma rodada de investimento. O aporte foi liderado pela Blockchain Capital, um fundo global especializado em infraestrutura financeira e ativos digitais.

Este investimento estratégico visa impulsionar a startup no desenvolvimento de novos produtos atrelados a blockchain e stablecoins, enquanto mantém o forte ritmo de expansão de sua oferta de crédito no mercado nacional. A negociação foi conduzida de forma direta entre as partes, sem intermediários financeiros.

A aproximação com a Blockchain Capital foi resultado dos contatos internacionais que Mário Augusto Sá, CEO e cofundador da NG.CASH, mantém ativamente. Este aporte posiciona a empresa para capitalizar as recentes evoluções regulatórias no setor de criptoativos no Brasil, conforme informação divulgada por Fintech.

Aporte Estratégico impulsiona inovação financeira

O cofundador e CMO da NG.CASH, Antônio Nakad, esclareceu que a companhia já estava bem capitalizada desde a rodada anterior, que levantou US$ 26,5 milhões em julho de 2025 com a liderança da New Enterprise Associates (NEA). “Quando as conversas com a Blockchain Capital avançaram, a gente estava muito bem capitalizado e com uma tese muito clara”, afirmou Nakad.

Ele complementa que o interesse da Blockchain Capital, somado ao desejo da NG.CASH de aprofundar-se em blockchain, abriu espaço para este investidor seleto. A rodada não é classificada como uma série C, nem como uma extensão da série B. “É um aporte estratégico, uma oportunidade que surgiu com um investidor que ainda não tínhamos no captable”, diz Antônio.

Com o novo capital, a Blockchain Capital agora integra o cap table da fintech. Ela se junta a um grupo de investidores de peso que já inclui a16z, NEA, Quantum Light, Endeavor Catalyst, 17Sigma, Daphni e Monashees, fortalecendo a base acionária da empresa.

Expansão da NG.CASH em blockchain e stablecoins

Para Antônio Nakad, a chegada de um fundo especializado em blockchain é um desdobramento natural da estratégia da NG.CASH de se tornar um ecossistema financeiro abrangente. “Não tem como falar de inovação financeira sem também falar de blockchain”, avalia o CMO da fintech.

O avanço regulatório no Brasil, com a regulamentação do mercado de ativos virtuais pelo Banco Central em fevereiro e o prazo de adequação até 31 de outubro, cria um ambiente favorável. As mudanças nas regras de criptoativos no Brasil e o progresso do Drex oferecem “uma janela de oportunidades muito relevante”, segundo Nakad.

A empresa replicou a estratégia utilizada anteriormente para obter a licença de Instituição de Pagamento (IP) e adquirir a SCD da BizCapital. Agora, com a licença de Provedor de Serviços de Ativos Virtuais (VASP), a NG.CASH vê um cenário propício para explorar blockchain e cripto no seu portfólio, focando em stablecoins e não na negociação de ativos como investimento.

O Brasil é o principal mercado de criptoativos da América Latina, e quinto maior do mundo, com grande volume em stablecoins. Essa perspectiva sustenta a tese de que um produto nesta frente pode pavimentar a expansão regional. “O Brasil ainda pode ter uma maior adesão a cripto como um todo, principalmente ancorada em um primeiro produto de stablecoin”, afirma Antônio.

Crédito continua sendo prioridade estratégica da NG.CASH

Apesar da forte investida em blockchain, a prioridade estratégica da NG.CASH permanece inalterada: o crédito. Em 2026, a companhia lançou o Pix Crédito, que integra pagamentos instantâneos e crédito, e o Crédito CLT, um consignado privado para trabalhadores formais. Ambos são frentes chave de crescimento da fintech.

Antônio Nakad projeta que a empresa deve fechar 2027 com R$ 1 bilhão em crédito originado. “A NG.CASH já movimentou mais de US$ 2 bilhões em sua trajetória, então é bem possível falarmos em R$ 1 bilhão em originação de crédito”, enfatiza, ressaltando o potencial do mercado brasileiro para este produto.

A expansão regional, que consideraria tanto o crédito quanto as stablecoins, ainda não está nos planos de curto prazo. A prioridade continua sendo o mercado brasileiro, onde há um público de 50 milhões de jovens e a fintech já atende a mais de 10 milhões de usuários.

Crescimento da base de usuários da NG.CASH

A evolução da base de usuários demonstra o crescimento expressivo da NG.CASH: eram 7 milhões em meados de 2025, superaram 8 milhões em junho de 2026, e agora atingem a marca de mais de 10 milhões de usuários. A empresa planeja focar neste crescimento no Brasil pelos próximos dois a cinco anos.

“A internacionalização não está nos planos de curto prazo, mas queremos deixar essa semente bem estruturada para quando a oportunidade aparecer”, conclui Antônio Nakad. Isso indica um planejamento de longo prazo, construindo uma base sólida no país antes de considerar novos mercados.

Perguntas Frequentes

Qual o valor do novo aporte da NG.CASH e qual seu objetivo?

A NG.CASH captou US$ 15 milhões em um aporte estratégico liderado pela Blockchain Capital. O objetivo é desenvolver produtos ligados a blockchain e stablecoins, ao mesmo tempo em que expande sua oferta de crédito no Brasil.

Por que a NG.CASH aposta em blockchain e stablecoins?

A fintech vê o blockchain como essencial para a inovação financeira e aproveita o avanço regulatório no Brasil, incluindo a regulamentação de criptoativos pelo Banco Central e o desenvolvimento do Drex. O foco em stablecoins considera o Brasil como um mercado chave na América Latina.

Qual a prioridade estratégica atual da NG.CASH?

Apesar do investimento em blockchain, a prioridade estratégica da NG.CASH permanece sendo o crédito, com produtos como Pix Crédito e Crédito CLT. A empresa projeta originar R$ 1 bilhão em crédito até o final de 2027.

Quantos usuários a NG.CASH possui atualmente no Brasil?

A NG.CASH reporta ter mais de 10 milhões de usuários no Brasil. A base cresceu de 7 milhões em 2025 e superou 8 milhões em junho de 2026, indicando um crescimento contínuo no mercado nacional.